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Publicidade e capitalismo

Publicidade
A publicidade é uma atividade profissional cuja principal função de difundir idéias associadas a uma empresa, produto ou serviço entre um público significativo com o intuito de gerar lucro.
Surgida no final do século XIX como parte das inovações trazidas pela revolução industrial. A publicidade nessa época limita-se a textos impressos de forma rudimentar, mas com o intuito de divulgar e diferenciar o produto anunciado dos demais. Essa necessidade de diferenciação, juntamente com a concorrência imposta pelo crescimento do capitalismo, ajuda, e muito, a propaganda comercial.
Com a chegada dos novos veículos de comunicação de massa, a publicidade ganha fortes aliados. O surgimento do rádio nas décadas de 20 e 30 fez aumentar o alcance das divulgações e os profissionais da área de comunicação enxergaram o grande potencial deste novo veículo. No entanto, nesse mesmo período líderes estadistas começam a utilizar a força do rádio em prol de seus governos totalitários e com isso a propaganda política passa a ser a principal atividade da época. Hitler, Mussolini, Vargas, Perón, todos utilizam o poder da propaganda para vender suas idéias absolutistas aos governados.
O rádio deu voz à propaganda. A veiculação de anúncios no rádio brasileiro somente é autorizada no ano de 1932, por decreto do presidente Getúlio Vargas. Juntamente com esse decreto fica estabelecida a exploração comercial do veículo por parte de pessoas jurídicas através de concessões. Nesse período grandes empresas passaram a anunciar e surgir na mídia nacional. A divulgação no rádio em nosso país ajuda a consolidar as empresas nacionais e multinacionais anunciantes. Marcas como Omo, Nougat, Toddy, Varig e outras menos conhecidas hoje, como refrigerantes Grapete e Cobertores Paraíba cresceram e consolidaram-se como líderes do segmento com a ajuda da “publicidade sem imagem” do rádio.
Surge o cinema e com ele a imagem passa a ser reproduzida, porém, no início, ainda sem som. Com o surgimento dos filmes falados a publicidade cresce grandemente, mas o cinema teve o seu poder rapidamente diminuído devido ao carro chefe da publicidade no século XX, a televisão.
O ano de 1935 marca o início da primeira transmissão televisiva oficial da Europa, em plena Alemanha Nazista. A torre de transmissão utilizada na época foi a Torre Eiffel em Paris. Desde então, a publicidade volta suas forças para o sistema mais completo da época. A televisão transmite som como o rádio, imagem como o cinema, porém com um alcance muito maior que os concorrentes. Os consumidores eram atingidos em suas casas, com toda a comodidade, sentados em seus sofás e não precisavam se deslocar até a sala de projeção mais próxima para assistir ao filme e, conseqüentemente, seus comerciais.
A televisão, como principal veículo midiático, reina tranqüila até o final do século XX, perdendo força apenas para a internet e os novos meios de comunicação da atualidade. Juntamente com sua força, boa parte do capital aplicado em publicidades na TV são transferidos para os novos meios. Esse êxodo dos investimentos atende as regras básicas de um sistema econômico baseado no lucro. O capitalismo.

Capitalismo
Segundo a enciclopédia digital Wikipédia, Capitalismo é comumente definido como um sistema de organização de sociedade baseado na propriedade privada dos meios de produção e propriedade intelectual, e na liberdade de contrato sobre estes bens (livre mercado)
Essa definição simplória desconsidera muitas particularidades do sistema econômico que domina praticamente em todo o mundo.
No sistema capitalista as pessoas buscam satisfazer suas necessidades através do acúmulo de riquezas para adquirir bens, produtos e serviços. A propriedade privada e a intelectual são defendidas como sendo o pilar de sustentação da sociedade. Os cidadãos passam a ser divididos em duas classes, seguindo definição de Marx, os proletários e burgueses. As pessoas buscam o dinheiro vendendo suas horas de trabalho em troca de salários. Os salários, em sua absoluta maioria, não satisfazem as necessidades dos proletários, mas sem outra opção, procuram se adequar ao sistema.
Ainda, segundo a Wikipédia, os defensores do capitalismo afirmam:
“... é o meio mais eficiente e eficaz de prosperidade, desenvolvimento e eliminação de pobreza nas sociedades, devido ao seguinte argumento central: cada indivíduo, por depender basicamente do seu próprio esforço, por ter direito a acumular e desfrutar dos produtos gerados por este esfoço, por ter de assumir e colocar em risco seu próprio patrimônio é altamente motivado a utilizar seus recursos (materiais e intelectuais) da melhor forma (mais eficiente) possível, e a melhor possível é a que gera maior riqueza para a sociedade, já que os indivíduos dependem de transações voluntárias.”
Essa teoria é muito boa, porém a prática mostra que o “eficiente sistema” aumenta cada vez mais a desigualdade social e demais mazelas vividas, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil.
O Capitalismo teve início junto com a Revolução Industrial, mas precisamente durante o final do século XVII. A palavra “capitalista” aparece pela primeira vez, ironicamente, no “Manifesto do partido Comunista” (Manifest der Kommunistischen Partei) de Marx e Engels, para definir os objetivos das revoluções burguesas durante a Revolução Gloriosa de 1685. Para Marx, maior crítico do sistema, o capitalismo baseia-se na luta de classes. Os que têm dinheiro (burgueses) contra os que não têm (proletariados).
O sistema capitalista é catapultado para todo mundo junto com os novos meios de produção. As indústrias produzem produtos para atender necessidades ou desejos dos seus consumidores. Para isso, em suas fábricas, utilizam o material humano para operar máquinas e produzir mais rapidamente e em grande escalas os produtos a serem consumidos. As vendas desses produtos geram riquezas que serve para pagar os custos da produção e os lucros dos empresários.

Publicidade e Capitalismo
Com o desenvolvimento dos meios de comunicação e os estudos nessa área, descobre-se, através da elaboração de várias teorias, a força de persuasão da mídia. A teoria hipodérmica surge entre as duas grandes guerras mundiais cuja principal idéia é inércia humana, pois para eles “o homem não age, e sim reage a estímulos”. Essa idéia, também defendida pela escola psicológica behaviorista, estimula a produção de propagandas com o intuito de induzir o consumidor a comprar os produtos apresentados pela mídia, independente da sua necessidade.
Esse conceito, bastante difundida no século XXI, leva a publicidade a destacar-se como principal impulsionador do capitalismo no mundo atual. No filme “O corte” o protagonista é levado pela propaganda a desejar o emprego de um executivo em uma fábrica de papéis, que possuía as mesmas habilidades dele. Para isso elaborou o terrível plano de eliminar seus possíveis concorrentes, antes de eliminar o executivo por ele invejado. Essa atitude drástica é fruto de um desespero do personagem desempregado, sem dinheiro para pagar custear as necessidades básicas de sua família, nem as suas necessidades de ego e aceitação na sua sociedade, gerando a inveja ao ver um outro profissional, com capacidade compatível a dele, melhor posicionado socialmente.
A publicidade ganha forte aliada com a chegada dos estudos do marketing. Seus serviços passam a integrar uma das áreas do marketing, que tem como missão analisar o mercado e entender as suas necessidades antes de oferecê-los publicamente. Entender os desejos do público alvo, identificar, separar e desenvolver ou aprimorar os produtos e serviços para adequá-los ao seu consumidor em potencial, levando-os a efetivar a compra. Como dito anteriormente, a publicidade faz parte do marketing aparecendo como a parte de divulgação, ou seja, um dos cinco “Ps”, o de propaganda.
Através da divulgação, a publicidade influencia o consumo alimentando assim o capitalismo em seu pilar maior. A geração de lucros. A economia em um país capitalista é movimentada pela venda de produtos e serviços, para dentro ou fora das suas divisas. A mídia é o principal motivador de consumo, portanto, a principal impulsionadora de um sistema econômico.
No filme “Nós que aqui estamos, por vós esperamos” vemos os avanços do século XX e como foram responsáveis por mudar o mundo. A utilização da mídia como arma de guerra. A revolução feminina e sua grande importância para os comerciais nos quais as mulheres desfilam semi-nuas para vender produtos. A indústria cultural e a utilização das artes para anunciar novas mercadorias disponíveis no mercado. O desprezo pela vida humana e a exaltação dos grandes personagens da história. A Revolução Russa e a pregação da inutilidade da igreja. A queda do socialismo perante o capitalismo na União Socialista e a destruição do muro de Berlim. Essas ações citadas expandiram o mercado para o mundo capitalista e, consequentemente, para a introdução de novas ações da publicidade nesses países. O mundo se moldou ao sistema capitalista e este teve como principal aliado à publicidade. Muitas das mudanças apresentadas no filme, parecem contribuir com essa idéia.
A mídia hoje tem o poder de levar o cidadão a comprar esse ou aquele tipo de música, pedir um sanduíche específico, beber a cerveja A ou B, escolher um candidato e especialmente determinar a sua tendência na hora de se vestir. A moda é um ótimo exemplo de como a publicidade e a propaganda definem as opiniões da “opinião pública”. Pessoas obesas vestem roupas desenhadas para pessoas magras e mesmo com um visual esteticamente inadequado, orgulham-se de dizer “estou na moda”. A perda da individualidade é um seus outros fatores. Grupos vestem-se e pintam-se exatamente igual, ouvem os mesmos cantores, freqüentam as mesmas lojas. Tudo isso, fruto do marketing.
Enquanto houver marketing, teremos publicidade. Enquanto houver publicidade, teremos vendas. Enquanto houver vendas, teremos lucro. Enquanto houver lucro, teremos capitalismo. Enquanto houver capitalismo, teremos desigualdade social. Enquanto houver desigualdade social, teremos campanha de marketing mostrando que só o capitalismo salva. E enquanto houver marketing...

Erick da Silva Cerqueira
Estudante de Marketing
Faculdade 2 de Julho



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